Exposições
1..Maio a 27..Maio
OUTRAS EPIDERMES DA VIDA
As Máscaras de João Robalo
Sábado_14h00
Sala da Nora - Cine-Teatro Avenida

E destruirá, neste monte, a máscara do rosto com que todos os povos andam cobertos e o véu com que todas as nações se escondem.
Isaías 25:7
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Máscara é palavra firmada numa intemporalidade que atravessa todas as geografias. Envolvida por uma pungente contemporaneidade sonora, conhecida é a universalidade da máscara e a antiguidade da sua utilização. Em territórios transfronteiriços, marca um limite poroso entre felicidades e tristezas, presenças e ausências, medos e expectações, sensibilidades e transcendências, tecendo um conjunto de relações entre um exterior e um interior, entre o individual e o coletivo, numa interrogação de sentidos, falas e silêncios.

Uma máscara não é a representação de um rosto, nem de uma face. Para Lévi-Strauss as máscaras estão sempre sujeitas a significações continuadas enquanto objectos sensíveis. A superfície que nos tapa o rosto é ponte de ligação ou espelho do âmago de cada um, transformando-nos, diferenciando-nos, religando-nos.

O fantástico conjunto de trabalhos de João Robalo só na aparência é repetitivo. Com efeito, cada elemento é único e afirma ímpares e plurais universos imaginários e comunicacionais. Cada obra assume um carácter escultórico, numa sábia e desafiante combinação de matérias como o couro, o gesso, a madeira, o tecido, a lata, o papel, o ouro, conchas, entre outras, unidas numa autêntica collage de identidades. Nas composições de João Robalo a mesma forma, qual “estrutura latente” Lévi-Strausiana, é ponte entre as realidades e as representações, replica-se em superfícies que conduzem ao reconhecimento, à rejeição, à ostentação e à interrogação, compondo um inventário-coleção sobre o âmago do nós, dos outros e de todas as circunstâncias. Há máscaras de vida, de morte, da Esperança, do temor, da guerra, do Divino, da viagem.

Vivemos num tempo qual alma do mundo como enunciava Plotino, em que uma variante específica da “máscara” determina o quotidiano, impondo outras ritualidades, marcando distâncias e limites impenetráveis. Ela protege do temor, tranquiliza e avisa. Que se ilumine a sua ancestral dimensão simbólica quando era janela sobre os sonhos e os desejos mais profundos aproximando os horizontes dos deuses com os mundos, tortuosos ou luminosos, dos homens. Que as actuais “máscaras” avivem as consciências e declarem a cada vez mais necessária solidariedade da humanidade.

José Mattoso, grande descodificador dos imaginários, ao realçar esse aspecto misterioso e transcendente que a máscara exprime através da imitação ou da inversão, disse: «Elas, as máscaras, são as pontes, os elos facilitadores da coesão, dos laços profundos que unem ritmos da Natureza e gestos sagrados». Que assim continue a ser.

O tempo não se vê. Com as máscaras confirmamos sempre a sua passagem.

Pedro Miguel Salvado


Entrada Gratuita

Inauguração: 01 Maio
Horário:
3º Feira a Domingo, 14:00 às 19:00